A minha experiência na 6ª Assembleia Mundial da GCE: O momento decisivo para a Inclusão

Não me esquecerei daquela quinta-feira à tarde quando recebi uma mensagem de texto da directora do meu antigo empregador, a RSDA, a Sra. Kelemwa Haile alertando-me a um convite urgente a jovens líderes, incluindo os com deficiência, para assistir a uma conferência internacional focada em questões relacionadas com a juventude e educação. Como sou um educador apaixonado pela educação, imediatamente preenchi e enviei os formulários do convite. Depois de semanas de espera ansiosa, recebi a boa notícia de ter o imenso privilégio de participar na Reunião do Grupo da Juventude da Campanha Global pela Educação (GCE) em Kathmandu, Nepal. Nos dias que se seguiram conheci a representante da Light for the World, Nafisa Baboo, para conversar mais profundamente sobre a minha experiência em Educação Inclusiva e, em geral, sobre a Educação para Surdos. No fim da nossa conversa inspiradora estava pronto para viajar para a minha primeira conferência internacional com o meu intérprete de linguagem gestual, o Dr. Eyasu Hailu.

Conheci outros jovens delegados

No primeiro dia da Reunião da Juventude fiquei feliz de vêr que era um dos 39 representantes do grupo da juventude a participar na conferência. De facto, representantes de mais de 100 countries de todo o mundo estavam presentes na Assembléia Mundial da GCE. A abertura da Reunião da Juventude é, sem dúvida, inesquecível pois fomos recebidos por um grupo de crianças estudantes que nos acolheram com uma dança tradicional a este país que é cultural e espiritualmente fascinante.

 

Para maximizar a minha estadia no Nepal, criei contactos com delegados de outros países e, o mais importante conheci um colega e delegado com deficiência auditiva, o Sr. Ismart, e a sua intérprete de linguagem gestual, a Sra. Debashu. Senti-me feliz por poder falar com uma pessoa surda de outro país. No início o nosso primeiro encontro foi difícil pois a minha língua gestual era ininteligível. Contudo, através os nossos intérpretes, chegámos a um espaço comum de entendimento. Nos dias que se seguiram, entendemos-nos um ao outro nas nossas próprias línguas gestuais e aprendemos muito sobre os nossos respectivos países, culturas e experiências.

Usei a oportunidade para fazer muitas perguntas às pessoas que conduziram as reuniões pois muitas questões foram um abrir de olhos para mim. Uma das minhas perguntas foi como é que os alunos com deficiências beneficiam de uma educação inclusiva. A resposta foi simples: as Nações Unidas têm uma política que requer que cada país adopte o tema de “Educação para Todos”, que visa atender às necessidades de educação de todas as pessoas.

Também aprendi de um líder de jovens da África que compartilhou ideias do seu continente, que a União Africana apoia a educação inclusiva e equitativa para pessoas com deficiências, assegurando que ninguém é deixado para trás. A mensagem principal que ficou comigo é que a Educação, Direitos and Liberdade estão interligados. Estas três importantes palavras parecem familiares, mas depois de ter entendido a explicação senti-me motivado para dar valor à Educação; Lutar pelo Direito e Procurar a Liberdade. Através da Inclusão reconheço a chave para o sucesso e uma maneira para o mundo avançar. Para mim, estes três termos servem como um trampolim para a minha luta em prol de uma educação de qualidade para pessoas com deficiências.

Participei numa discussão em grupo sobre a Equidade, o Género e a Educação Inclusiva, uma discussão de grupo facilitado por Nafisa e no fim eu, juntamente com um delegado do Vietnã, fomos nomeados para apresentar os resultados da discussão em grupo ao resto dos participantes. Este compromisso ajudou-me a expressar a questão da deficiência e a importância da educação inclusiva. Chamei a atenção para o facto de que em África existe uma forte necessidade de acesso a uma educação de qualidade, sem qualquer discriminação de pessoas portadoras de deficiência.

Para concluir

Esta prestigiada conferência foi uma aprendizagem e uma experiência. Sinto-me encorajado pelo ímpeto de contribuir para positivamente mudar a vida das pessoas com deficiência através da educação inclusiva. A aplicação prática da educação inclusiva deve ser reforçada de modo a aliviar os diversos desafios sociais, económicos e educacionais no mundo de hoje.

Agradecimentos

Os meus agradecimentos a Sra.Nafisa Baboo, ao Sr. Tsegaye Hordofa da Light for the World por me terem apoiado e patrocinado a minha presença na conferência. Estou grato a Sra. Kelemwa Haile, Directora da RSDA por me ter incentivado a me candidatar para participar nesta conferência. Também estou muito grato ao meu intérprete Etíope de linguagem gestual, o Dr. Eyasu Hailu, que todos os dias me acompanhou pacientemente. Também agradeço Anna Martin pelos seus encorajamentos. Reconheço também para os organizadores locais e internacionais da GCE por garantirem que a educação inclusiva está a ser discutida ao mais alto nível.

Da esquerda para a direita – Ismart, Dr. Eyasu Hailu ((Intérprete Etíope de linguagem gestual) Mrs. Nafisa Baboo (Light for the World), Mr. Kumar (CBM India), Mr. Solomon Shiferaw (delegado surdo Etíope), Ms. Debashu (Intérprete Indiana de linguagem gestual).

 

About Solomon Shiferaw

Solomon Shiferaw, 24, da Etiópia. Ele ensina Educação Cívica e Ética para alunos surdos do ensino médio em Tikur Anbessa High School em Adis Abeba. Anteriormente, trabalhou para uma ONG local, a Associação de Serviços de Reabilitação para Surdos (RSDA, na sigla em Inglês), com sede em Adis Abeba, como professor de surdos em uma escola primária. Completou a sua Licenciatura em Educação Ética e Cívica em 2017. Logo após a conclusão da sua licenciatura, ele teve a oportunidade de leccionar em uma escola do governo. Durante estes processos de transição, curtos mas importantes, ele aprendeu sobre as necessidades educacionais de crianças surdas, promovendo os direitos de uma educação de qualidade para crianças surdas.



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