As coligações da CGE ajudam as vítimas do Ciclone IDAI

No mês passado, um dos piores ciclones tropicais de que há memória atingiu os países da África Austral, Moçambique, Zimbabué e Maláui, com uma devastação que deixou um milhar de mortos e muito mais desaparecidos, que desencadeou uma grave crise humanitária. As vítimas ainda tentam recuperar o que podem dos escombros das suas casas e dos seus pertences. Acrescem preocupações sanitárias relacionadas, por exemplo, com o surto da cólera recentemente reportado e com a escassez de acesso aos serviços de saúde, bem como para a insegurança alimentar que aflige tantos.

Só em Moçambique, 263.000 crianças ficaram sem escola e mais de 3.300 salas de aula ficaram destruídas. No Zimbabué, foram atingidas quase 150 escolas, o que se estima ter afectado cerca de 60.000 crianças. No Maláui, este desastre deve ter atingido 200 escolas.

Alguns agentes da sociedade civil, incluindo ONG Nacionais e Internacionais, agências da ONU e governos estrangeiros unem esforços para prestar ajuda humanitária às vítimas do Ciclone IDAI. Ainda assim, a Secretária-Geral Adjunta das Nações Unidas Amina Mohammed anunciou recentemente na Reunião Especial da ONU de 2 de Abril, sobre o Ciclone IDAI, na Sede da ONU, que os fundos dados pela resposta internacional ainda estão aquém do necessário. A Educação Não Pode Esperar e seus parceiros alocaram no passado dia 11 de Abril USD 14 milhões para ajudar a recuperar os serviços de ensino a um total estimado de 500.000 crianças e jovens.

Ao nível nacional, as diversas coligações dos membros da CGE em Moçambique, Zimbabué e Maláui têm apoiado os esforços humanitários à sua maneira, dando especial atenção às necessidades específicas da educação, como a reconstrução de escolas, a recolha de material escolar para alunos e professores, bem como a mobilização geral de recursos de financiamento.

MOÇAMBIQUE

A coligação moçambicana Movimento de Educação Para Todos (MEPT) está a orientar uma campanha para apoiar o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humanitário (MINEDH) na recolha de material para os estudantes (incluindo cadernos, lápis/canetas, afias e mochilas) para as crianças e jovens que residem nas províncias de Sofala, Manica e Zambézia. A coligação mobilizou os seus membros em torno desta causa para doar material escolar através da ligação directa com o MEPT, os representantes a nível da província, e para que os representantes, por seu lado, se envolvam com os serviços educativas das províncias. Abaixo um cartaz partilhado pela coligação que inclui as informações sobre os pontos de recolha nacional de material escolar.

 

A campanha da coligação está enquadrada em iniciativas mais abrangentes desenvolvidas através de um grupo de ajuda humanitária constituído para as vítimas do Ciclone IDAI, que inclui a UNICEF e a Save the Children como parceiros estratégicos. O grupo tem reunido à segunda-feira para definir acções concretas a tomar durante este período de emergência. Entre os tipos de apoio necessário, foi solicitado o fornecimento de materiais para a escola, os professores e as salas de aula, bem como a assistência na reconstrução das escolas recorrendo a materiais de construção resilientes em situação de desastre natural. Além disso, o MEPT também está a trabalhar com outros grupos, como o grupo solidário de OSC em Moçambique, denominado “SOS IDAI Sociedade Civil”, que procura assegurar os materiais e recursos financeiros para apoiar as vítimas. A coligação participa ainda no Grupo Local pela Educação que está a desenvolver um processo de mobilização de recursos aos vários níveis, e no Cluster da Educação criado pelo Ministério da Educação para apoiar a recolha de informações sobre o número de escolas destruídas e de estudantes actualmente sem escola.

Para mais informações sobre como se juntar a estes esforços de ajuda liderados ou apoiados pela coligação, contacte o MEPT em meptinfor@gmail.com e mostre o seu apoio nas redes sociais.

Reunião da SOS IDAI Sociedade Civil para debater os próximos passos de apoio às vítimas do Ciclone IDAI.

ZIMBÁBUE

No Zimbabué, a Education Coalition of Zimbabwe (ECOZI) conseguiu mobilizar algum material para apoiar as vítimas. A coligação desafiou os seus membros e outros parceiros a doar um livro e uma caneta como forma de angariação de material escolar para ajudar os estudantes e escolas afectados. Aceitam também contribuições monetárias. A morada para deixar as doações é a seguinte: 95 Park Lane, Kenyan Embassy building, Second Floor- North Wing, Harare.

Além disso, está a ser levada a cabo uma avaliação multidisciplinar no Zimbabué para fazer o levantamento da magnitude dos esforços causados pelo ciclone. O cluster nacional pela educação, sob a coordenação da Save the Children, e que inclui os esforços da ECOZI, lançou um apelo ao financiamento que resultou em um milhão de dólares da Educação Não Pode Esperar.

Para mais informações sobre como se juntar a estes esforços de ajuda liderados ou apoiados pela coligação, contacte o ECOZI em ecozim@gmail.com e mostre o seu apoio nas redes sociais.

MALAUI

No Maláui, a coligação Civil Society Education Coalition (CSEC) participou nas intervenções seguintes: 1) Incremento dos programas escolares de nutrição nas áreas afectadas, bem como avaliação das questões sanitárias; 2) Prestação de abrigos temporários (tendas) que servem como sala de aula, já que muitas estão a servir de refúgio às populações afectadas; 3) Está também a ser feito o levantamento do impacto das cheias na educação no âmbito das implicações dos custos do exercício de reconstrução. Além disso, a coligação tem participado com os meios de comunicação e o governo na busca de soluções duradouras para o problema do alojamento das vítimas das cheias que, actualmente, estão alojadas nas salas de aulas. A CSEC tem realçado que o recurso às actuais salas de aulas é uma medida temporária, mas que no longo prazo, o governo tem de encontrar estruturas e instalações permanentes em solo elevado, que durante a estação das cheias pode ser utilizado para outras actividades.

Para mais informações sobre como se juntar a estes esforços de ajuda liderados ou apoiados pela coligação, contacte o CSEC em secretariat@csecmalawi.org e mostre o seu apoio nas redes sociais.

*O Secretariado CGE gostaria ainda de expressar a sua solidariedade para com as vítimas do ciclone e apela aos seus membros para apoiarem os esforços de ajuda humanitária seja a nível local ou internacional. Os conflitos e desastres naturais são uma determinante cada vez mais significativa nos resultados educativos. Para a Semana de Acção Global pela Educação 2019 (#SAGE2019) e em linha com o nosso foco estratégico, a CGE promove o direito à educação das pessoas em contexto de emergência relacionado com as alterações climáticas para que possam exercer o seu direito à educação, incluindo crianças e jovens cuja educação foi interrompida devido à destruição das instalações escolares e daquelas que não vão à escola porque a reconstrução das instalações escolares tem sido ineficaz ou simplesmente mal planeada.
Para ajudar, é possível criar/assinar uma petição aqui e dar o seu donativo aqui.



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