5 maneiras como a educação pode ajudar a combater as alterações climáticas

5 maneiras como a educação pode ajudar a combater as alterações climáticas e proteger a vida em terra e a vida subaquática. Explorando as interligações entre os ODS 4, 13, 14 e 15

Na sexta-feira 20 setembro milhões de pessoas em todo o mundo foram para a rua pedir aos líderes que tomem medidas fortes e corajosos para enfrentar a emergência climática. No dia 23 de setembro, os líderes mundiais irão reunir-se em Nova Iorque para a Cimeira do Clima, um dia dedicado a discutir a questão climática na véspera da primeira Cimeira dos ODS. À medida que a emergência climática assume o primeiro plano durante estas discussões de alto nível, vamos analisar a meta 4.7 e explorar como a educação e o ODS 4 podem ajudar a salvar o nosso planeta e o nosso clima, e como se relacionam de forma particular com os ODS 13, 14 e 15.

Que papel pode ter a educação na proteção do nosso planeta?

A relação entre educação, crise climática e preservação da vida na terra e vida subaquática ocorre a vários níveis. Enquanto a educação é necessária para melhorar a consciência das pessoas sobre os impactos nocivos da ação humana nos ecossistemas naturais, o desequilíbrio do ecossistema e as emergências relacionadas com as alterações climáticas são uma das graves barreiras a que as pessoas possam gozar do seu direito à educação. De facto, as emergências relacionadas com as mudanças climáticas deixam milhões de alunos sem escola. Desastres como deslizamentos de terra, incêndios florestais, secas, inundações, ciclones ou tufões causam fome, morte, forçam as pessoas a mudar-se ou destroem instalações escolares e universidades, e as comunidades podem levar anos para recuperar destes eventos.

A Meta 4.7 menciona especificamente o papel da educação na promoção da sustentabilidade “Garantir que todos os alunos adquiram os conhecimentos e as competências necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, incluindo, entre outros, através da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de género, promoção de um cultura de paz e não-violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural e do contributo da cultura para o desenvolvimento sustentável “.

1. Criando conhecimento

A educação desempenha um papel vital no combate às alterações climáticas e é essencial para entender como a crise climática causada pelo ser humano está a afetar o planeta. O nosso conhecimento da crise climática tem uma base científica sólida, baseia-se em investigação e dados que os cientistas de todo o mundo dissecam e analisam rigorosamente. Eles são a base das recomendações de políticas apresentadas no relatório do IPCC . Investigadores, académicos e o ensino superior levam a cabo investigação para compreender as causas, consequências e magnitude da crise climática e das emergências relacionadas com o aquecimento global. Os cientistas revelaram o importante papel que os oceanos ou as florestas desempenham na regulação do clima, além de revelar os impactos imediatos da crise climática nesses ecossistemas frágeis.

2. Compreender os ecossistemas para construir sociedades mais resilientes

Estudar os nossos ecossistemas, a sua natureza sistémica e as suas ligações com a vida humana e não humana é importante para cuidar, preservar, restaurar e reverter os danos que o desenvolvimento humano está a causar na Terra. A educação, ou a alfabetização ecológica,é essencial para a nossa compreensão de como as ações de todos os indivíduos estão a afetar negativamente o equilíbrio da Terra, em particular as florestas naturais, o ciclo da água e a preservação da vida selvagem. É necessária uma aprendizagem formativa constante para realmente entender os fundamentos da vida natural pois a diversidade aumenta a resiliência. O conhecimento local e indígena contribuiu para o funcionamento do ecossistema, sistemas de alerta precoce de desastres e adaptação e resiliência às mudanças climáticas. O conhecimento tradicional em áreas como a agricultura, produção de alimentos e conservação tem desempenhado há séculos um papel importante na sustentabilidade ambiental. Inúmeros exemplos das práticas tradicionais de gestão da terra das comunidades indígenas, particularmente as lideradas por mulheres, estão a ser reconhecidas globalmente como excelentes abordagens para conservar a biodiversidade e manter os processos subjacentes aos ecossistemas.

3. Sensibilização

As crianças de hoje são os cidadãos e consumidores de amanhã. Os seus comportamentos e decisões afetarão inevitavelmente o meio ambiente. As crianças são também importantes agentes de mudança social na sociedade porque para além de elas próprias adotarem comportamentos ambientais responsáveis, elas também têm o potencial de provocar mudanças, influenciando o conhecimento ambiental, atitudes e comportamentos de colegas, familiares e da comunidade em geral. Educar jovens e adultos sobre questões relacionadas com a crise climática , a poluição da água e da terra vai incentivar os indivíduos e as comunidades a mudar de atitudes e comportamento em relação a estes aspetos. Iniciativas para prevenir e mitigar o impacto das alterações climáticas através da educação podem permitir que crianças, jovens e adultos compreendam melhor o impacto do aquecimento global sobre as suas possibilidades de usufruir os seus direitos humanos fundamentais.

4. Encontrar soluções

Mesmo se forem assumidos fortes compromissos de ação esta semana e se o aumento da temperatura global se mantiver abaixo de 1,5°Celsius, esse aumento terá um sério impacto em todo o mundo. À medida que a crise climática se está a revelar, são necessárias educação, competências e ideias inovadoras assentes numa sólida base científica para encontrar soluções e mitigar danos. Como a UNESCO (2016) sugere, a educação pode aprofundar o nosso conhecimento e competências para prevenir e adaptar às emergências relacionadas com as alterações climáticas.

Engenheiros , ativistas e jovens fazem progressos constantes melhorando dispositivos para produzir energia mais limpa, inventando processos engenhosos para limpar os oceanos da poluição de plásticos e projetando mecanismos práticos para permitir que animais selvagens e humanos convivam pacificamente. Ao mesmo tempo, as universidades estão na vanguarda da investigação para desenvolver materiais mais recicláveis, melhorar a eficiência de ferramentas feitas pelo homem e aumentar a reutilização de recursos preciosos. A educação pode ampliar estas iniciativas e reverter as tendências tóxicas que pretendem mais modelos de extrativismo e consumo não sustentável.

5. Responsabilizar oslíderes

Finalmente, cidadãos e jovens instruídos estão mais preparados para responsabilizar os seus líderes e pressionar os seus governos para que tomem medidas decisivas contra a crise climática. Isto foi demonstrado pelos milhões de pessoas que saíram das suas escolas e locais de trabalho na sexta – feira dia 20 para exigir ações urgentes sobre as alterações climáticas e o fim dos combustíveis fósseis.

Authors: Maryline Mangenot, Vernor Muñoz, Luis Eduardo Pérez Murcia



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